Facebook: Registro de doadores de órgãos parte II – O tráfico

Doação de órgãos - Facebook

No post anterior com relação a este assunto: Facebook: Registro de doadores de órgãos – Parte I , eu falei sobre o aumento do número de cadastro de doadores de órgãos em uma instituição na Califórnia/US.

Pois bem, sem dúvida a inciativa do Facebook ao inserir o recurso “doador de órgãos”, pode, e deve , ser considerada louvável. A intenção é excelente.

Mas, como dizia minha avó, de boas intenções o inferno está cheio…

Assim, analisemos os contras desta novidade:

Tráfico de órgãos

O que sabemos sobre o tráfico de órgãos no mundo?

O suficiente para termos conhecimento de alguns casos de pessoas que vendem os próprios rins em troca de um iPad? “Rapaz que vendeu rim para comprar iPad e iPhone…”

Vocês podem achar que é um caso à parte, mas eu tenho minhas dúvidas.

Houve uma época em que a venda de sangue era algo bem corriqueiro no Brasil e mesmo nos dias atuais, na china, um livro “Crônica de um vendedor de sangue” fez sucesso por denunciar a rede de tráfico de sangue na China.

Certo, vocês ficariam surpresos ao tomarem conhecimento de que em 2010 a revista Isto é publicou uma tabela de preços de órgãos?

  • Coração = R$ 100 mil
  • Córnea = R$ 20 mil
  • Rim = R$ 80 mil
  • Fígado = R$ 30 mil
  • Pulmão = R$ 60 mil
  • Pâncreas = R$ 30 mil
  • Cadáver = R$ 30 mil

Ainda de acordo com a revista Isto é:

“Organizações como a de Elilda, amparadas em números da ONU, calculam que a máfia do tráfico de órgãos movimenta no mundo entre US$ 7 milhões e US$ 12 milhões ao ano. Na maioria dos casos os traficantes comercializam na internet”.

Pensando nisso, vamos voltar ao Facebook e seu maravilhoso e humanitário recurso.

A facilitação do acesso de traficantes de órgãos à doadores é perigosa. E eu não estou falando da possibilidade da facilitação de crimes com o objetivo de conseguir estes órgãos.

Não, eu estou falando sobre a sedução de obter R$ 80 mil por um de seus rins.

Parece terrível? Impensável? Será que é mesmo?

Muitas matérias já foram feitas sobre transplantes de órgãos de pessoas vivas.

Familiares, amigos, cônjuges e, é claro, pessoas com problemas financeiros que veem um rim como algo descartável, uma vez que temos dois.

O garoto do iPad já não deve pensar assim.

Enfim, o cadastro de “doador de órgão” do Facebook pode ser algo bem intencionado, mas precisamos tomar cuidado com o uso que as pessoas acabam fazendo de nossas boas intenções.

Eu pensaria duas vezes antes de me cadastrar.

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